A maioria dos conflitos entre uma empresa e um cliente não nasce de má-fé. Nasce de duas pessoas que se lembram de uma conversa de forma diferente. Um contrato de prestação de serviços é a forma mais barata de evitar isso: escreve o que foi prometido enquanto todos ainda estão de bem.
Muita gente foge dos contratos porque imagina páginas de linguagem jurídica. Um bom contrato para um trabalho pequeno é o contrário. É curto, usa palavras comuns, e o cliente lê-o em dez minutos e diz "sim, foi isto que combinámos".
Este guia percorre as partes, pela ordem em que costumam aparecer, com as perguntas a que cada uma tem de responder.
Comece por quem e o quê
Identifique bem as duas partes: o nome legal da sua empresa ou o seu, o nome da empresa do cliente ou o seu nome completo, e uma morada para cada um. Se trabalha como empresa, use o nome da empresa e não o de uma marca, porque o contrato vincula quem o assina.
Depois descreva o serviço numa ou duas frases, como o explicaria a um amigo. "Vamos desenhar e montar um site de cinco páginas para a pastelaria do cliente" é melhor do que "serviços web". A lista detalhada vem a seguir, mas a frase inicial mantém todos a apontar na mesma direção.
Escreva o âmbito como uma lista
O âmbito é a parte que mais importa. Responde a duas perguntas: o que vai fazer e o que não vai fazer.
- Indique cada entrega como algo que alguém possa riscar da lista. "Três opções de logótipo na primeira ronda" pode ser verificado. "Identidade de marca" não.
- Indique os limites: número de revisões, horas incluídas, número de páginas, reuniões, locais.
- Indique o que precisa do cliente e para quando: textos, acessos, fotografias, decisões. Muitos atrasos são do cliente, e o contrato deve dizer o que acontece quando ele se atrasa.
- Liste o que não está incluído. Se não vai escrever os textos, alojar o site ou corrigir problemas causados por outra pessoa, diga-o.
Se o trabalho for grande ou tiver fases, ponha o âmbito detalhado numa descrição de trabalhos separada e remeta para ela a partir do contrato. O nosso modelo de descrição de trabalhos foi feito para isso, e os modelos de contrato de prestação de serviços freelancer e de contrato de consultoria cobrem o contrato à volta dela.
Preço e pagamento
Seja exato. Indique o preço ou a tarifa, a moeda, se os impostos estão incluídos e quando vence cada pagamento. Se pedir um sinal, diga quanto e que o trabalho começa quando ele chegar. Se o pagamento for por fases, ligue cada fase a algo visível, como "com a aprovação do design" e não "quando estivermos a meio".
Acrescente o que acontece em caso de atraso: juros ou uma taxa razoáveis, se a lei do sítio onde está o permitir, e o direito de suspender o trabalho. Não invente um valor punitivo. Uma cláusula justa e modesta é mais fácil de fazer cumprir e mais fácil de ver aceite.
Diga como são tratadas as despesas. Deslocações, fotografias de banco de imagens, impressão e licenças de software devem ou estar incluídas no preço ou ser cobradas ao custo, com aprovação prévia do cliente.
As alterações vão acontecer, por isso planeie-as
O cliente vai pedir algo a mais. É normal, e não é problema se o contrato disser como se trata: o cliente pede por escrito, você diz o que isso muda no preço e no prazo, o cliente concorda e só então o faz.
Uma frase como "o trabalho fora do âmbito é orçamentado à parte e só começa depois de o cliente aprovar o orçamento" poupa mais amizades do que qualquer outra cláusula. Dá-lhe também uma resposta educada: "Com todo o gosto, eis o que isso acrescenta."
De quem é o quê
Os clientes costumam assumir que ficam com tudo o que faz assim que pagam, e quem faz o trabalho costuma assumir que fica com tudo. Nenhuma das duas coisas é automática, e as regras variam de país para país, por isso escreva-o.
Decida e indique:
- Se a propriedade do trabalho concluído passa para o cliente e quando (normalmente com o pagamento integral).
- Se mantém o direito de mostrar o trabalho no seu portefólio.
- O que acontece às ferramentas, modelos e materiais que trouxe para o trabalho. A maioria das pessoas fica com eles e dá ao cliente uma licença para os usar no âmbito do trabalho.
- O que acontece ao material fornecido pelo cliente. Continua a ser dele, e você compromete-se a usá-lo apenas para o trabalho.